sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Poemas sem palavras, palavras que abandonaram a sua configuração física, e procuraram um sentido ausente de ideias, o erreferível do pensamento; linhas que correspondem à imagem breve da sua existência morfológica, descrevendo o seu fraseado; caligrafias perdidas, anotações deambulantes, contornos esparsos ao longo do silêncio branco, estímulos que preenchem no papel vazio aquilo que não pode ser dito; a sua execução, o sentido mínimo do seu desenho, do seu carácter fortuito; entre páginas e páginas brancas, surgem assim facilmente linhas de nada, silhuetas que representam o instante assinalador da presença da mão. Na paisagem branca do papel, substância iniciática de possibilidades, onde se dissipa a consciência.


                               Oito desenhos de António Ramos Rosa

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